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"Ode Marítima", estreada no Festival das Artes 2012, termina digressão internacional PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

O espectáculo "Ode Marítima", estreado no Festival das Artes | Viagens 2012, termina agora a sua digressão internacional.

A "Ode Marítima, o grandioso poema de Álvaro de Campos, foi declamado por Diogo Infante, acompanhado pela música original de João Gil na guitarra, no palco do Anfiteatro Colina de Camões, nos Jardins da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, a 24 de Julho 2012. A encomenda da Fundação Inês de Castro, promotora do Festival, foi feita a Diogo Infante para integrar o Ciclo das Artes do Palco do 4º Festival das Artes | Viagens.

Em Março de 2014 a "Ode Marítima" (com algumas adaptações e variações) foi apresentada no Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa e, em Abril de 2014 no Teatro Nacional de São João, no Porto. Depois de uma digressão nacional, lançou-se além-mar numa digressão internacional de grande sucesso que passou por cidades como Nova Iorque, Newark, Washington D.C., Seul, Tóquio, Johanesbourgo e no passado Domingo, dia 27 de Novembro, no Círculo das Belas Artes, em Madrid.

 

Fotografia de Miguel Von Driburg | Festival das Artes 2012

 

(...)

Passa, lento vapor, passa e não fiques...

Passa de mim, passa da minha vista,

Vai-te de dentro do meu coração.

Perde-te no Longe, no Longe, bruma de Deus,

Perde-te, segue o teu destino e deixa-me...

Eu quem sou para que chore e interrogue?

Eu quem sou para que te fale e te ame?

Eu quem sou para que me perturbe ver-te?

Larga do cais, cresce o sol, ergue-se ouro,

Luzem os telhados dos edifícios do cais,

Todo o lado de cá da cidade brilha...

Parte, deixa-me, torna-te

Primeiro o navio a meio do rio, destacado e nítido,

Depois o navio a caminho da barra, pequeno e preto,

Depois ponto vago no horizonte (ó minha angústia!),

Ponto cada vez mais vago no horizonte...,

Nada depois, e só eu e a minha tristeza,

E a grande cidade agora cheia de sol

E a hora real e nua como um cais já sem navios,

E o giro lento do guindaste que, como um compasso que gira,

Traça um semicírculo de não sei que emoção

No silêncio comovido da minh'alma...

s.d.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

- 162.

1ª publ. in Orpheu, nº2. Lisboa: Abr.-Jun. 1915.