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A Lenda PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A partir desta base histórica, desde muito cedo se iria desenvolver uma belíssima e trágica lenda que os factos justificavam. Primeiro na imaginação popular e depois recolhida por artistas, poetas ou romancistas, a lenda sempre renovada e actualizada, com alterações mais ou menos profundas em função da imaginação criativa dos autores, perdurou até ao nosso tempo.

A base histórica dos “amores de Inês que ali passaram” (como escreveu Luís de Camões n’ Os  Lusíadas) e a presença de raras algas vermelhas na hoje denominada Fonte das Lágrimas, cedo levou as populações a localizar nesse sítio a morte da “linda Inês”, a “mísera e mesquinha que, ainda no dizer de Camões, depois de morta foi rainha”.

Desde então a Quinta das Lágrimas – lugar histórico dos amores e lugar mítico da morte - tornou-se um lugar de peregrinação para todos os que ao longo dos séculos querem homenagear aqueles trágicos amores. A lenda passou a ter um lugar de culto e um local onde ainda hoje se pode sentir o romance.

Outro elemento muito relevante para a perpetuação do mito foi sem dúvida a coroação depois de morta em cerimónia solene no Mosteiro de Santa Clara, perante a corte. A base histórica de novo existia, a partir do momento em que o Rei D. Pedro exigira que todos considerassem D. Inês como Rainha de Portugal.

A imaginação cedo tornou tal homenagem simbólica numa cerimónia formal em que as três ordens do Estado (clero, nobreza e povo) beijaram a mão à “Rainha Morta” cujo cadáver desenterrado e sentado num trono foi desde sempre assumido como sinal definitivo de uma paixão sem limites.