Daniel Jonas é o vencedor da 15.ª edição do Prémio Literário Fundação Inês de Castro pela obra Cães de Chuva

José Viale Moutinho recebe Prémio Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro 2021

Daniel Jonas, vencedor do Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2021

Daniel Jonas é o vencedor do Prémio Literário Fundação Inês de Castro, uma iniciativa anual que distingue obras de prosa ou poesia escritas em língua portuguesa, pela sua obra Cães de Chuva, editada em 2021 pela Assírio & Alvim. Já José Viale Moutinho recebe o Prémio de Tributo Consagração Fundação Inês de Castro, uma comunicação que coincide com o dia do lançamento da nova obra do escritor, (22) Contos Escolhidos Antologia Pessoal (1988-2015), a decorrer na cidade de Coimbra.

Poeta, tradutor e professor nos ensinos básico e universitário, Daniel Jonas publicou, entre outros, Sonótono (Cotovia, 2006), que lhe valeu o prémio PEN de Poesia, e  (Assírio & Alvim, 2014), galardoado com o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes da APE. Foi ainda um dos sete poetas nomeados para o Prémio Europeu da Liberdade, pelo seu livro Passageiro Frequente (Língua Morta, 2013), traduzido em polaco por Michal Lipszyc. Antes tinha sido distinguido com o prémio Europa David Mourão-Ferreira, da Universidade de Bari/Aldo Moro, pelo conjunto da sua obra. Traduziu vários autores, entre os quais John Milton, Shakespeare, Waugh, Pirandello, Huysmans, Berryman, Dickens, Lowry, Henry James e William Wordsworth, e, mais recentemente, Os Contos de Cantuária de Geoffrey Chaucer. Como dramaturgo, publicou Nenhures (Cotovia, 2008) e escreveu  Estocolmo, Reféns e o libreto Still Frank, todos encenados pela companhia Teatro Bruto. “Cães de Chuva” (Assírio & Alvim) é o seu mais recente livro de poemas.

Cães de Chuva – Assírio & Alvim, 2021

O júri deste Prémio Literário é composto por Isabel Lucas, Mário Cláudio, Isabel Pires de Lima, António Carlos Cortez e presidido por José Carlos Seabra Pereira. Daniel Jonas confirma a solidez da sua criação literária e a originalidade que o torna um dos mais estimulantes poetas da poesia portuguesa contemporânea. Em Cães de Chuva, livro em verso livre, Jonas articula a  herança clássica de autores e temas clássicos com a modernidade da linguagem, da forma, dos sentimentos que dominam o tempo e o espaço em que vive. Outra das características do poeta está na atmosfera perpassada pela sombra, uma tristeza pontuada por momentos de alguma exuberância. E há a linguagem, com cada palavra a ser tratada com extrema precisão, deixando entrar termos de outros idiomas, revelando mais uma vez a ousadia que caracteriza a sua produção poética, tal como a atenção dada a elementos como o tempo e o espaço. 
Cães de Chuva é um livro a celebrar, por um poeta, dramaturgo que aprofunda e dá densidade à sua marca poética enquanto passa para a língua portuguesa alguns dos livros e autores mais exigentes da língua inglesa. A notável experiência do tradutor parece contaminar, no melhor sentido, uma poesia nunca acomodada a temas e a fórmulas. 
O júri do Prémio Inês de Castro, ao dar este prémio a Daniel Jonas, quer distinguir a qualidade, a ousadia e a solidez da escrita poética de Daniel Jonas, mais uma vez manifestada em Cães de Chuva., afirma Isabel Lucas, Júri do Prémio Literário Inês de Castro desde 2021.

José Viale Moutinho, vencedor do Prémio Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro 2021

Nascido no Funchal em 1945, José Viale Moutinho vive no Porto. Foi jornalista (Jornal de Notícias, 1966–1975, e Diário de Notícias, 1975–2004), tendo recebido o Prémio de Reportagem Norberto Lopes, da Casa da Imprensa de Lisboa, textos recolhidos no livro Primeira Linha de Fogo (da Guerra Civil de Espanha aos Campos de Extermínio Nazis), Bertrand, 2013. Como escritor, estreou-se em 1968 com a narrativa Natureza Morta Iluminada. Narrador, entre outras obras: No País das Lágrimas (4.ª ed, Âncora Ed, 2022), Romanceiro da Terra Morta (1978), Cenas da Vida de um Minotauro (Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco 2000) e Monstruosidades do Tempo do Infortúnio (Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco 2019), Já os Galos Pretos Cantam (Prémio Edmundo Bettencourt), A Peste no seu Esplendor, Textos Goliardos, Fechem essas Malditas Gavetas!, Velhos Deuses Empalhados, Quatro Manhãs de Nevoeiro, A Batalha de Covões, Entre Povo e Principais. Poeta, os seus livros estão reunidos em Cimentos da Noite: 1975 – 2018 (Prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus 2021), três peças de teatro (representadas), estudos sobre autores de 800, sobretudo sobre Camilo e Trindade Coelho, tendo ainda ampla obra no campo da Literatura Popular e livros para crianças e jovens.

Ao longo da sua carreira, José Viale Moutinho recebeu ainda outras distinções, tais como: o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco, em 2020 e 2019, e o D. Dinis, da Fundação Casa de Mateus, há dois anos Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores, Prémio Rosalía de Castro, do Pen Clube da Galiza, Pedrón de Honra, da Galiza, Sócio Honorário da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnografia. A Imprensa da Universidade de Coimbra acaba de editar-lhe a antologia pessoal (22) Contos Escolhidos, com ensaio crítico da professora Leonor Martins Coelho (Univ. Madeira). Tem também obras editadas no Brasil e traduzidas em russo, catalão, búlgaro, alemão, italiano, mirandês, castelhano, galego, inglês, entre outros idiomas.

Ao longo dos anos, o Prémio Literário Fundação Inês de Castro tem distinguido autores e obras de reconhecido valor, como Pedro Tamen (2007), José Tolentino Mendonça (2009), Hélia Correia (2010), Gonçalo M. Tavares (2011), Mário de Carvalho (2013), Rui Lage (2016), Rosa Oliveira (2017), Djaimilia Pereira de Almeida (2018) ou Andreia C. Faria (2019).

A cerimónia oficial de entrega destes prémios vai realizar-se na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, no primeiro trimestre de 2023, numa data a anunciar brevemente.

Aceda aqui à lista completa de obras e autores premiados.